Ontem estive só
Desde o amanhecer até a noitinha
Hoje, estou aqui
Desde que despontou o sol
Amanhã, acho que acordarei
Depois das seis
Acho que a janela não é
Uma boa amiga
Augusto F. Guerra
Contos, crônicas, poemas, fotopoemas e outras palavras
Teu (versos pronominais)
Ah, esse seu ar!
Seu olhar...
Só seu!
Outro dia aquilo,
Hoje isto,
Ontem... Talvez!
Sua instância
Em ser só sua,
Seus sins
Meus nãos
Ah, a mim é que não vai apagar
Nem pagar tal feita
A pagar, não serei mais eu
Nem meu,
Nem nós
Mas, tu.
Joaquim A. vasconccelos
Ontem estive só
Desde o amanhecer até a noitinha
Hoje, estou aqui
Desde que despontou o sol
Amanhã, acho que acordarei
Depois das seis
Acho que a janela não é
Uma boa amiga
Augusto F. Guerra
Eu não sei como aconteceu. Lembro que estava caminhando triste junto ao mar, quando, de repente encontrei aquela concha na terra molhada. Peguei-a e observei atentamente. Sua cor branca reluzente causava topor em minhas retinas; um orifício, na sua superfície, levava a uma cavidade interna, de contornos turvos e coloração castanha... Uma brisa suave como um abraço esquecido no tempo, veio do mar e confortou meu peito ácido. Ajoelhei-me na areia encharcada de sal. Um som maior que o canto das ondas do mar desbravou minha epiderme. Parecia vir do íntimo daquela relíquia do oceano. Levei-a com as mãos indecisas ao meu ouvido, e uma doce melodia escorreu, primeiro pelas minhas células nervosas, depois pelas minhas veias e aorta, até chegar voraz como um predador marinho ao coração. Depois disso, só lembro,da concha desabar por entre meus dedos e a água salgada do mar alagar meus olhos. Agora estou aqui só, numa estrada turva e tortuosa, sob um céu de matizes castanho.Augusto F. Guerra
O Augusto já morreu
O Fiodor é pretensão
O Guerra não sou eu
De tantos nomes
Que minha mente
Fabrica largo
Me chamo deserto
Augusto F. Guerra
Um dia pensei em ser sol
Mas meus raios não iam tão longe
Nem minha luz era tão acalentadora
Me lancei nas nebulosas das emoções
Vaguei pelo universo de minhas idéias
E quis ser planeta: sem luz, mas
Propício a gerar vida e cores
Talvez até um asteróide
Ou cometa que, vagasse livre
Sem rumo, e um dia descansa
No ventre da terra
Mas, não...
O tempo veio devagar
Chegou com suas mãos ásperas
Puxou-me pelo ombro aridamente
E sussurrou no meu ouvido
Com uma voz de fogo e ácida
“Tu és satélite: não brilharás,
Não gerará, vida, não serás livre.
Teu destino é girar e servir
À gravidade de meus astros”
Depois disso, me fez lua.
Augusto F. Guerra
Já era tarde quando veio o sono
Os pensamentos demoraram a dissolver
As densas camadas do dia
Uma sensação liquida
Explodiu na minha razão
Desceu pela boca
Deixou uma palavra doce
Escorreu pela garganta
Num som melódico e novo
Correu os pulmões
Num ar leve e agradável de paz
Chegou ao coração
E transformou-se
Em encantamento
Agora todo meu corpo
Tem o perfume dela
Fabio Cruz